27 de setembro de 2017

Eventos para escritores, guionistas e aspirantes no Porto e Lisboa

A
migos escritores e roteiristas!
Como já falei em outras oportunidades, estou em um 'período sabático' aqui no blog, mas reforço que continuo sempre acessível para responder perguntas e apoiar no que for possível através dos diversos canais para contato.
Novidades neste último período: primeiro, entrou no ar uma nova versão de meu site oficial, ajustado para funcionar bem em celulares, tablets e dispositivos, e com mais informações sobre meus livros e roteiros, além da estreia de uma seção de "Perguntas Frequentes" que deverá ser ampliada à medida que novas perguntas de escritores, pais e professores forem... bem, se tornando frequentes! ;) 
Sugestões para correções e melhorias são sempre bem vindas!

Em segundo lugar, gostaria de convidar os colegas escritores e guionistas portugueses para dois eventos que irei realizar nos próximos meses, com foco na apresentação de ferramentas que são utilizadas por escritores profissionais na produção de romances e guiões de filmes de longa metragem. Como criar uma premissa estruturada, como definir personagens mais críveis, como estruturar a trama para evitar bloqueios de escritor, como fazer revisões direcionadas por filtros e muito mais serão apresentados em uma palestra no Porto, dia 21 de outubro, e vistos com detalhes e exercícios práticos em um workshop em Lisboa, dias 25 e 26 de novembro. "O que é escrito sem esforço, geralmente é lido sem prazer"
Samuel Johnson, escritor, poeta, ensaísta, biógrafo, filósofo e crítico literário inglês do século XVIII
Seguem os convites dos eventos, e vocês podem ver mais informações nos sites dos organizadores:
 

 
Estes eventos também serão oportunidades únicas para conseguir uma cópia d'A Bíblia do Escritor, cujo lançamento em Portugal ainda não tem data prevista.

Ajudem a divulgar - e espero vocês lá!


E não esqueça que você encontra este e muitos outros assuntos em 'A Bíblia do Escritor, em versão impressa ou
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25 de agosto de 2017

Corrente do bem - também entre escritores

E
m quase 50 anos de vida, nunca vi o Brasil passar por uma crise tão grande.
Não falo aqui das crises econômica e política, até porque sobre estes assuntos - ainda que importantes - já estamos todos saturados.
Falo de uma crise mais essencial, mais importante: a crise de humanidade.
Realmente me assusta a quantidade de situações onde alguém é agredido (um professor, um estudante, um político, não interessa a profissão, moral ou ideologia) e, ao invés de se discutir a agressão, condena-se a vítima.  Há toda uma horda que começa a falar do passado da vítima, da forma como ela se vestia, das posições políticas que assumiu, de sua orientação sexual etc, como se isso tornasse a violência aceitável.
Não é.
E, mais incrível, aqueles que tentam levar o debate na direção correta são taxados dos mais absurdos adjetivos; chegando alguns detratores a acreditar que defender direitos humanos é algo negativo!  (Se você tem alguma dúvida sobre este assunto, leia a Declaração Universal dos Direitos do Homem).
Como falei, a crise que mais me assusta é a de humanidade. Mas, afinal... O que esta crise tem a ver com a escrita?
Tudo.
Já falei em alguns posts anteriores sobre o que acredito ser a responsabilidade social dos escritores, além da responsabilidade do escritor com seu público. Estes posts merecem ser relidos, ainda mais nestes tempos sombrios.
Não acredito que todo escritor deva escrever obras profundas, que denunciem os desvarios da sociedade onde vive. Há também a necessidade de se escrever sobre o bom, o belo, o amor e o futuro, até para que, por contraste, se perceba a falta que estas coisas fazem.
"Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de classes, outros para se perpetuar nos manuais de literatura ou conquistar posições e honrarias. Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever.".
Lêdo Ivo, jornalista, poeta, romancista, contista, cronista, ensaísta e, como se não bastasse, Imortal.
Mas hoje queria ir além do discurso: gostaria de propor uma ação. 
Algo simples, fácil de fazer, e que tem um potencial transformador: Vamos apoiar outros escritores.
Só publiquei meu primeiro livro, quase 20 anos atrás, por conta de Ronaldo Cagiano, um escritor incrível, ganhador do Jabuti em 2016, que primeiro fez com que eu acreditasse em minha capacidade de escrever, depois praticamente me pegou pela mão, apresentou-me um editor e me empurrou para ir em frente até que meu primeiro livro fosse lançado.
Desde então, passei por muitas vidas, mas sempre que posso tento fazer pelo menos um pouco por outros escritores, para honrar o que o Ronaldo me ensinou. E quando acontece de algum deles me agradecer e perguntar como pode retribuir, só peço uma coisa: que não deixe morrer esta "corrente do bem", não esqueça que teve meu apoio e, quando alguém pedir ajuda - escritor ou não - que o ajude também, passando a mesma mensagem.
A ajuda pode ser uma indicação, uma informação, uma opinião, eventualmente até apoio financeiro. O mais importante é se importar. De nada vale fazer, se o coração não estiver aliado à ação.

Diante de tantos desafios para melhoria de nossa sociedade, ajudar uma pessoa parece pouco.
Mas somos muitos, e se cada um fizer sua parte, aos poucos vamos saindo desta terrível crise de humanidade.
Porque a mudança, seja para nos tornarmos melhores escritores ou melhores seres humanos, começa sempre dentro de nós, com um pequeno gesto, um pequeno esforço para a direção certa.
E persistência, para não nos abatermos na difícil estrada.

E você, já ajudou ou foi ajudado por outros escritores? Que tipo de ajuda você acha que seria útil? Comente e compartilhe!

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27 de julho de 2017

O que você REALMENTE precisa para ser um escritor?


J
á ouvi isto muitas vezes, de diversos escritores: "Todo mundo pode ser escritor".
Eu mesmo acredito nisso, em uma certa medida.
Todos já experimentamos o prazer de contar histórias que empolgam quem está em volta, sejam momentos interessantes por que passamos ou que presenciamos, histórias inventadas, piadas ou mesmo sucessos ou insucessos no trabalho.
Viver é contar histórias, é assim que as tradições sempre foram perpetuadas e o conhecimento passado entre gerações, desde antes de a língua escrita ser inventada.
Sim, todos contamos histórias.
Todos temos a capacidade, em um maior ou menor grau, de escrever contos e histórias curtas. Esta capacidade, como qualquer outra, pode ser melhorada com treino.
Acredito que qualquer um que deseja ser escritor precisa começar pela escrita de contos ou crônicas.
Este exercício ajuda a aprender a dominar as técnicas narrativas básicas, a começar a entender o que funciona e o que não funciona quando convertendo uma história da voz para o papel.
Afinal, ninguém aprende a andar sem antes engatinhar e se segurar nos móveis.
Todos somos escritores. Só que uns escrevem, outros não.
José Saramago, único escritor da língua portuguesa a ganhar um Nobel de Literatura
Como falei, acredito que todos temos a capacidade de escrever histórias. Mas... e quanto a fazer carreira como escritor?
Trabalhar como escritor demanda mais do que escrever uma história curtas: demanda escrever continuamente, escrever múltiplas histórias curtas ou longas, investir um tempo do dia, todos os dias, em sua carreira.
Eu adoro desenhar. Até acredito que faço alguns desenhos muito bons, no nível de alguns artistas gráficos. Mas não me vejo, nesta vida, aceitando que mereço o título de artista visual.
Da mesma forma, acredito que todo aquele que deseja ser um escritor precisa ter, no mínimo, três "características essenciais":

  • Ser um leitor: É através da leitura que apreendemos os mecanismos básicos da arte de contar histórias. Há excelentes escritores que nunca leram um livro sobre técnicas de escrita, mas não conheço nenhum escritor que não tenha sido, em algum momento da vida, um leitor voraz. Já li, sim, livros de autores cuja base é a cultura pop dos quadrinhos e televisões, e devo dizer: não funcionam. Não é preconceito contra o tema: ADORO cultura pop. Mas escrever um livro sobre o super-homem é diferente de escrever um roteiro de quadrinhos, que é diferente de escrever um roteiro de filme, que é diferente de escrever um roteiro de uma série de TV. Cada formato tem suas regras próprias, e o escritor precisa saber transitar em todos aqueles em que quiser trabalhar.
  • Vontade, ou melhor, Ansiedade para escrever. A vontade é algo passageiro, que vem e vai; a
    Civilizações, de Wallace Horta

    ansiedade é algo que não lhe deixa, que mesmo quando você não está pensando, ela está lá, em seu subconsciente. Quem já se apaixonou sabe exatamente do que estou falando! Para testar esta característica, tente (ou imagine) ficar um mês sem escrever nada, sem levar seu projeto de produzir um livro para frente. Se o pensamento não te incomodar muito, então provavelmente você tem outras prioridades, e escrever um livro provavelmente é um projeto entre muitos, não uma carreira a ser seguida.
  • Persistência: Já conheci e aconselhei muitas pessoas que procuram apoio para escrever um livro, mas pouquíssimos são aqueles que efetivamente levam seu projeto até o fim. Vale, inclusive, o destaque para o colega escritor Wallace Horta, que recentemente lançou o livro "Civilizações". O Wallace é a mais recente exceção à regra que derruba a maioria dos candidatos a escritores: A de que não adianta ter vontade e sonhar, é obrigatório trabalhar duro para escrever um livro. Se você acha que não está pronto dedicar meses (quiçá anos...) de sua vida trabalhando e revisando um livro, burilando a sua joia até o máximo de sua capacidade, então provavelmente sua arte é outra.
  • Eu sei que falei que ia parar em três, mas acredito que há mais uma característica essencial: Humildade. Parece até engraçado de falar, porque os escritores (como a classe artística em geral...) têm a fama de ter um ego gigante. Ok, é tão difícil escrever e publicar um livro, e ainda mais fazer com que ele chegue aos possíveis leitores, que é realmente necessário ter um ego imenso para acreditar que você está à altura da tarefa. Mas nada desagrada mais os leitores do que ler (ou conhecer) um escritor que transparece um ar de superioridade, que tem um ar de "sou muito importante". E se isso não bastar, a humildade é ainda mais importante no início de carreira, para aceitar críticas construtivas e utilizá-las para melhorar seu trabalho, ao invés de pensar (como muitos o fazem...) "na minha arte ninguém mexe", como se cada palavra que escrevesse fosse a expressão da perfeição. A humildade é, provavelmente, a característica mais difícil das três, pois depende de mudarmos algo inerente a todos : Quando criticam algo que fizemos, sentimos que a crítica é para nós, e automaticamente passamos a nos defender, ao invés de avaliar objetivamente o que foi falado.
Então... Todos, sim, temos o potencial de escrever histórias.
Mas nem todos foram talhados para serem escritores.
Nada mais óbvio: As pessoas são iguais para a dor, mas são distintas para o prazer. O que faz o coração de cada um bater mais rápido é único e pessoal. Há quem ame escrever, há quem ame cozinhar, há quem ame organizar, há quem ame dedicar-se a outros...

Descubra o que você realmente ama, e invista nisso como profissão, ou dentro de sua profissão, ou em seu tempo livre. Não interessa quando nem onde, mas não deixe de investir nisso, pois nada fere mais uma alma criativa do que lhe ser negado a capacidade de se expressar.

E se você ama escrever... Não precisa de regras: você já é um escritor! Desbrave seus caminhos, e se precisar de ajuda, já sabe onde procurar!

E você, o que acha que é necessário para ser um escritor? Comente e compartilhe!

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5 de julho de 2017

Pontos de Virada: O que são e como utilizar

A
Acredito que tudo aquilo que fazemos conscientemente acaba sendo mais bem trabalhado do que aquilo que fazemos sem perceber.
O mesmo se dá, é claro, ao escrevermos um livro: se você conhece as técnicas e sabe como e porque utilizá-las, poderá explorá-las melhor.
Pontos de virada são elementos simples da trama, tão simples que parecem ser algo "óbvio" - e, no entanto, há muitos autores que simplesmente não pensam neles, e acabam por não aproveitar ao máximo seu potencial como escritores por conta disso.
Pontos de virada são aqueles momentos na narrativa em que a trama "muda de direção", quando o objetivo do protagonista muda ou começa a mudar. Por exemplo, em uma filme de terror, é o momento em que a vítima decide que, para se salvar, a única forma é deixar de fugir e passar a atacar.
O ponto de virada pode ser algo bem marcado, como uma explosão que mata um personagem, ou sutil como uma breve troca de olhares que mexe com as certezas do protagonista.
Em seu “Poética”, Aristóteles já sugeria uma trama dividia em três atos e com um ponto de virada central
A ideia não é novidade: Três séculos antes da era Cristã Aristóteles já propunha uma trama onde as complicações cresciam até um ponto central, quando o personagem adotava uma postura mais ativa e passava a resolvê-las uma a uma até o fim.
Atualmente, boa parte dos filmes de Hollywood utilizam uma trama com 5 pontos de virada:
  • 1º ponto de virada - Indicação da ruptura: Algo interrompe a rotina, oferecendo ao protagonista a chance de uma grande aventura. Esta aventura poderá ser algo físico, ou simplesmente uma mudança de comportamento.
  • 2º ponto de virada - Obrigação se seguir em frente: O que era apenas uma possibilidade de mudança, agora se torna inevitável. Neste ponto de virada ocorre algo (uma decisão, ou algo físico) que faz com que o personagem finalmente saia de sua zona de conforto e enfrente a mudança.
  • 3º ponto de virada – Todas as pontes estão queimadas: Até este momento, o protagonista ainda via a chance de retornar à rotina anterior com um mínimo de mudanças; mas neste ponto algo ocorre que fica claro que não há como tomar outro caminho: ele precisa seguir até o fim para conseguir resolver a mudança que ocorreu em sua rotina.
  • 4º ponto de virada – Complicações chegam ao extremo: Neste ponto, tudo parece ir contra o protagonista, e não é possível ver nenhuma solução viável para os problemas. Neste momento o protagonista sai de uma posição passiva, de sofrer com os problemas conforme aparecem, para uma posição ativa, de buscar proativamente soluções.
  • 5º ponto de virada – Clímax e resolução: É quando a história chega ao clímax e o problema trazido pela mudança se resolve – de uma forma ou de outra!
Este modelo de trama, ainda que seja bastante flexível e permita escrever desde comédias românticas até thriller de ação desenfreada, está longe de ser consenso.
Em boa parte dos filmes europeus, usualmente mais centrados em personagens, o que vemos é uma estrutura simplificada, com dois pontos de virada: 
  • 1º ponto de virada - Ruptura da rotina : Ponto em que a rotina do personagem é abalada por algum acontecimento qualquer, que inicia uma série de mudanças em sua vida.
  • 2º ponto de virada - Conclusão do aprendizado : Ponto em que as mudanças provocadas pelo ponto 1 se concluem, deixando o personagem com a escolha de (tentar) retornar à sua rotina anterior ou assumir uma nova posição frente à vida.
O conceito em si é bastante simples, e TODA história precisa ter pelo menos um ponto de virada - afinal, ainda que possam haver exceções, uma história é sobre "algo que aconteceu", e não uma mera descrição da rotina de um personagem.
O "pulo do gato", neste caso, é pensar os pontos de virada da trama ANTES de começar a escrever qualquer coisa.
Se você já definiu a premissa estruturada (mesmo que seja centrada em personagens), já sabe o ponto de partida e, usualmente, o ponto final de sua trama.
Com os pontos de virada definidos, a história "se desenha" em sua mente, e você passa a ter uma visão bem melhor sobre por onde a trama irá passar, o que ajuda imensamente o processo de produção de sua obra.
É uma ideia simples, mas como todas (boas) ideias simples, extremamente útil!

Gostaria de escalrecer algo ou aprofundar algum ponto?
Comente e compartilhe com os colegas!

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